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Experiência Vivida em Conexão: mulheres negras e rurais tecem redes de conhecimento na iniciativa Territórios Livres, Tecnologias Livres

  • Foto do escritor: Commbne
    Commbne
  • há 3 horas
  • 12 min de leitura

Resumo

O presente relato de experiência busca compartilhar o trabalho realizado na pesquisa-ação-projeto-caminhante Territórios Livres, Tecnologias Livres (TLTL), iniciado em 2021 pelo Movimento de Mulheres Trabalhadoras Rurais do Nordeste (MMTR-NE), a Coordenação de Articulação Nacional das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ) e o Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social. Essa iniciativa busca enfrentar o desafio da luta pelo território, pela justiça socioambiental e pela promoção de uma internet livre, por meio de mapeamentos coletivos sobre o acesso, os usos e as concepções a respeito da internet e das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) em comunidades quilombolas e rurais do Nordeste brasileiro. A promoção de ações de compartilhamento de conhecimentos ancestrais e digitais nesses territórios, historicamente vulnerabilizados pelo racismo e por modelos de desenvolvimento predatórios, constitui uma importante ferramenta para a construção de processos de comunicação e afirmação de direitos. A liderança das mulheres amefricanas nesse contexto permitiu a construção de relações de proximidade com as diversas tecnologias mobilizadas pelo TLTL, uma vez que essas mulheres atuam como agentes de inovação por meio de suas práticas políticas, econômicas e de biointeração. Nesse sentido, o relato centra-se na experiência dessas mulheres, entrelaçadas pelo desafio de guardar e compartilhar conhecimentos, elaborando formas de comunicação no contexto da luta por direitos.


Palavras-Chave: Mulheres Negras; Mulheres Rurais; Amefricanidade; Tecnologias; Direito à Comunicação.

Sobre os encontros

Nas lembranças de Maryellen Crisóstomo, quilombola e jornalista da Articulação Nacional das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq), a imagem de sua mãe colocando as pilhas do rádio no telhado para recarregá-las com a luz solar é marcante quando o assunto é tecnologia. “Este, aliás, ficava pendurado no alto para não dar sorte ao azar de as crianças se esbarrar nele e sucumbir o único contato possível com o mundo externo”, conta Maryellen, ao lembrar da importância do rádio para a comunicação em sua comunidade, o território Baião, em Almas/TO. “Recordo-me de acordar de madrugada ouvindo o rádio ligado com músicas sertanejas e leituras das cartas destinadas a familiares em algum lugar do Brasil, em que o remetente sempre desejava que aquela notícia os encontrasse vivos e com saúde”, lembra.

Como uma encruzilhada da vida, é assim que Aline Carneiro, coordenadora administrativa do Movimento da Mulher Trabalhadora Rural do Nordeste (MMTR-NE), define o uso das tecnologias em sua relação com a educação e o movimento social. Em três marcos que alteraram para sempre o percurso de sua trajetória, as tecnologias estavam presentes: a mudança da cidade para a zona rural do município do Conde/PB, após a passagem do avô; o ingresso no curso técnico em Agropecuária; e, em 2010, o encontro com o MMTR-NE por meio de uma amiga.

Na zona rural, Aline conheceu outros contextos de vivência, como a distância entre as casas, a falta de energia elétrica, a casa de taipa e a necessidade de atravessar um rio para ir à escola, desafios superados por meio de diversos saberes. No curso técnico, teve contato com outras pessoas, tecnologias e formas de conhecer o mundo. No curso técnico, como ressalta, “perdi o medo de falar, me libertei das mentalidades de submissão que foram ensinadas desde pequena e reconheci minhas identidades e origens”.

Na outra ponta do Nordeste, Tâmara Terso, integrante do Intervozes, ligou pela primeira vez um computador durante um curso de computação e datilografia em Itamaraju/BA. Em 2004, esses dois saberes, o analógico e o digital, já eram considerados por muitos incompatíveis entre si. Anos mais tarde, ao se conectar com outras mulheres no projeto Territórios Livres, Tecnologias Livres, a jornalista afirma que “reviveu a riqueza daquele processo que fazia conviver, sem uma lógica de substituição ou apagamentos, tecnologias distintas”.

Para Naiara Santana, nascida e criada no Assentamento Vitória da União/SE, o território sempre foi sinônimo de luta e resistência. Ela conta que cresceu acompanhando as dificuldades da comunidade, onde só passava um ônibus por dia.

Os recados chegavam com meses de atraso, e sua mãe conta, até hoje, que souberam da morte de um cunhado morreu três meses depois do ocorrido.

A primeira vez que Naiara ouviu falar em tipos de tecnologias foi em 2006, quando ganhou seu primeiro telefone celular e um computador. Porém, ela contrapõe esses episódios com uma reflexão importante: “na verdade tudo é tecnologia, seja nos saberes ou técnicas de organização”.


Saberes e fazeres, contato, mudanças, convivência, resistência e encruzilhada

Essas são ideias-força que costuram histórias. As nossas histórias! Quatro mulheres negras que se encontraram na coordenação do projeto Territórios Livres, Tecnologias Livres (TLTL), com o objetivo de mapear os usos e concepções da internet, Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) e justiça socioambiental junto a comunidades quilombolas e rurais do Nordeste brasileiro, a partir de 2021.

Os desafios enfrentados por essas comunidades, em meio à conjuntura de restrições impostas pela pandemia de COVID-19, tornaram ainda mais urgente o nosso encontro. Desde o início da crise sanitária, por exemplo, comunidades quilombolas tiveram dificuldades para acessar informações sobre a prevenção ao vírus SAR-CoV-2 e para garantir direitos como o auxílio emergencial¹.

A ausência de iniciativas do poder público para assegurar o acesso à internet e às TICs no meio rural é reflexo do racismo estrutural, responsável pela manutenção dos sistemas de desigualdades no país. Nesse sentido, humanizar e territorializar os dados, entendendo os impactos das tecnologias na promoção da justiça social e socioambiental, foi a bússola do projeto TLTL.

Essa iniciativa se baseou em um processo de ampliação de capacidades e trocas entre agendas de luta em defesa dos territórios e por uma internet livre. Foi, assim, a primeira etapa de um processo de articulação e formação, que apontou para a construção de contranarrativas e para a disputa epistemológica sobre internet e TICS — a partir de uma visão feminista, negra, antirracista e comprometida com a justiça socioambiental.

O projeto também apontou caminhos para a produção de insumos voltados à incidência junto a centros de poder por políticas públicas de acesso e uso da internet e das TICs, além do fortalecimento e da construção de apropriações autônomas dessas ferramentas, em diálogo com tecnologias ancestrais e modos de vida tradicionais.

Neste âmbito, as mulheres, a quem historicamente é atribuída a função de produção e reprodução da vida, assumiram o protagonismo das iniciativas de resistência e da construção de alternativas ao modelo de desenvolvimento imposto. Elas tiveram um papel central na sistematização dos conhecimentos compartilhados em diversas rodas, que manifestam saberes e fazeres múltiplos.

“Eu quero ver se você não se mexe. Eu quero ver quem se mexe por você...”²

Historicamente, as mulheres são responsáveis por guardar os conhecimentos para a produção e reprodução da vida. Por isso, elas foram as principais protagonistas de todas as etapas do mapeamento.

As experiências vividas nos territórios, como os relatos que abriram este texto, guiaram nossas referências epistemológicas. Da mesma forma, os diálogos e conexões por meio das iniciativas comunitárias foram as bases metodológicas para construir o nosso xirê — componentes de uma epistemologia feminista negra, segundo Patrícia Hill Collins, socióloga afro-americana.

Mulheres negras, indígenas, quilombolas, de terreiros, do campo e da cidade reuniram seus saberes sobre economia, educação, meio ambiente, política, comunicação e tecnologias para fortalecer as lutas do presente e projetar mundos possíveis. Ao som das místicas e no movimento, enfrentamos ofensivas que tentam nos desconectar de nossas memórias e direitos, online ou off-line.

Como dizia Paulo Freire (2011) “ninguém educa ninguém, nem a si mesmo: educamo-nos uns aos outros ao vivenciar, observar, trocar, construir e dialogar com o mundo.”. E foi isso que fizemos. Aprendemos e ensinamos com Veronica Santana, Givânia Maria, Mãe Beth de Oxum, Ana Carla Cota, Adriana Bravin, Geovania Machado, Selma Dealdina, Gabriela Monteiro, Marina Pita, Iara Moura, Gyssele Mendes, Olívia Bandeira, Rafaela Souza, Maria Aparecida, Maria Felipa e Maria Edna de Andrade.

Inicialmente, foram cinco encontros entre março e maio de 2021, realizados de forma online. Em 2022, promovemos novos encontros para desenvolver campanhas estratégicas e, entre 2023 e 2024, iniciamos o percurso presencial pelos territórios, uma vez que o projeto foi iniciado em meio à pandemia de COVID-19, cuja orientação de prevenção era o distanciamento social.

As referências teóricas sobre ciência e tecnologia seguiram uma trilha contra-colonial, privilegiando autoras negras. Bárbara Carine, Marta Celestino, Selma Dealdina e Givânia Maria Silva foram algumas das nossas inspirações. Em todas as edições, online e presenciais, buscamos convidar majoritariamente facilitadoras negras e pertencentes a povos e comunidades tradicionais, no intuito de valorizar a produção de saberes e fazeres territoriais.

A metodologia dos ciclos de diálogo foi centrada em rodas de conversa, iniciadas por místicas, que cumpriam o papel de “trazer nossa alma para as rodas”. Após a mística, seguia-se a exposição das facilitadoras e a escuta ativa de todas as participantes.

¹ Dados do levantamento realizado pela Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ) e pelo Coletivo Intervozes, em 2020, sobre o acesso à informação em comunidades quilombolas durante a pandemia. CONAQ; INTERVOZES; MMTR-NE. Pesquisa Territórios Livres, Tecnologias Livres – acesso à internet em comunidades quilombolas e rurais do Nordeste brasileiro, abril-junho 2020. Intervozes / CONAQ / MMTR-NE, 2020. Disponível em: https://www.nexojornal.com.br/ensaio/debate/2020/Como-quilombolas-est%C3%A3o-atravessando-a-pandemia-no-Brasil
² Trecho da cantiga composta por Jacy Barreto, agricultora, líder do Movimento da Mulher Trabalhadora Rural do Nordeste (MMTR/NE) e moradora do município de Serrinha, na Bahia.

Apesar de desafiador, sendo a desigualdade no acesso à internet e às TICs um dos principais entraves à participação nos ciclos online, a ocupação da rede para costurar conhecimentos entre a diversidade de povos e modos de vida revelou-se uma imersão valiosa. Entre místicas, relatos e histórias, práticas de compartilhamento da experiência vivida foram tecendo uma rede de diálogo, entre territórios diversos (marisqueiras, indígenas, quilombolas, pescadoras, agricultoras familiares), criando conexões nas lutas por justiça socioambiental, além de promover a ética do cuidado e da responsabilidade pessoal, presente na valorização das singularidades e na autodeterminação das alternativas apresentadas pelas mulheres.

Fazer o projeto chegar a 274 famílias, em 33 comunidades, não foi fácil. Por isso, a dinâmica do “uma sobe e puxa a outra” organizou o trabalho das pesquisadoras-ativistas: cinco mulheres e um homem, lideranças quilombolas e trabalhadoras rurais, que coordenaram a pesquisa nos nove estados do Nordeste e incentivaram o processo de multiplicação nos territórios.

Essas pesquisadoras contribuíram desde o desenho metodológico do mapeamento até a coleta de dados e análise. São elas e ele: Maria Verônica Santana – moradora do Assentamento Vitória da União/SE, responsável pela pesquisa em Sergipe e na Bahia; Rafaela de Souza – moradora do Assentamento Bela Vista/AL, responsável pela pesquisa em Alagoas; Maria José Felipe – moradora da Comunidade de Serra do Cabral/PB, responsável pela pesquisa na Paraíba; Maria Edna Andrade – moradora do Quilombo Abelha/PE, responsável pela pesquisa em Pernambuco e no Rio Grande do Norte; Maria Aparecida – moradora do Quilombo Rampa/MA, responsável pela pesquisa no Maranhão; Nilson José dos Santos – morador do Quilombo Sumidouro/PI, responsável pela pesquisa no Piauí e Ceará.

Nesse momento, entendemos com mais profundidade as palavras de Mãe Beth de Oxum, quando nos ensina que tecnologia é um tambor, e que Ogum, orixá que manipula o ferro, nos mostra, por meio os Ifás, como repartir peixes com suas ferramentas. No mesmo espírito, pegamos carona, deixamos recados e dividimos recursos para incluir mais famílias nessa troca de saberes, potentes ferramentas para compreender o cenário de desigualdades exposto na sistematização dos dados a seguir.

Marcadores de gênero no centro das desigualdades de acessos à internet

Segundo o mapeamento do TLTL, 56% das 274 famílias rurais e quilombolas do Nordeste brasileiro vivem com menos de um salário mínimo. Além disso, 29% dos domicílios nessas comunidades não têm acesso à internet; apenas 11% das famílias possuem computador; e, entre aquelas que contam com internet em casa, 33% relatam dificuldade para pagar o serviço, que custa, em média, de R$51 a R$ 200.

Ao cruzar os dados gerais com o recorte de gênero, percebe-se que a presença de mulheres nas famílias está relacionada a um maior acesso à internet e às TICs: 22% das famílias com maioria de homens têm internet em casa, enquanto esse número sobre para 28% entre as famílias com maioria de mulheres. O tipo de acesso também varia: 16% das famílias majoritariamente masculinas têm banda larga, contra 23% nas lideradas por mulheres.

Os dados do mapeamento vão ao encontro da experiência de Maryellen, que aos 14 anos ganhou sua primeira remuneração, um cachê recebido por meio do grupo escolar de dança típica jiquitaia, no município de Almas/TO, após uma viagem à França. Com esse valor, comprou a primeira TV, o primeiro celular da família e ainda uma máquina fotográfica adquirida pela revista Hermes.

As mulheres, com suas vivências, conhecimentos e tecnologias do cuidado, demonstram atenção ampliada à qualidade de vida ao seu redor, atenção essa que está diretamente ligada ao acesso à informação. De acordo com o levantamento, entre as famílias que afirmaram receber informações sobre prevenção ao coronavírus, 21% eram compostas majoritariamente por homens e 28% por mulheres.

Apesar disso, são também nas famílias com maioria de mulheres que as dificuldades se intensificam. O custo da internet pesa mais para elas: 17% das mulheres apontaram dificuldades financeiras para manter o serviço, contra 14% dos homens. Ao investigar os tipos de dificuldades no acesso à internet durante a pandemia, a educação apareceu como o principal problema para 18% das famílias compostas majoritariamente por mulheres, em comparação a 13% entre os homens.

Vale ressaltar uma tendência recorrente no meio rural: lares sustentados exclusivamente por mulheres que desenvolvem diversos trabalhos, desde o cultivo do próprio roçado e o artesanato até as diárias em propriedades de terceiros. Em diálogo com essas mulheres, percebe-se que a renda mensal não é fixa, sendo afetada por diversos fatores, como as condições ambientais, por exemplo, a falta de chuva. Diante desse cenário, políticas públicas que proporcionem maior autonomia às mulheres na definição das prioridades familiares, como o Bolsa Família, devem servir de exemplo para o desenvolvimento de ações e políticas públicas que fomentam o acesso à internet e às TICs no Brasil.

Medo, nós temos; mas não usamos!


As mulheres são destaque na liderança da ciclicidade que assegura vidas no território. Esse protagonismo vem acompanhado de um trabalho de base comunitária que envolve ambos os gêneros, como apontou o mapeamento ao abordar as formas de enfrentamento das dificuldades de acesso à internet e às TICs. Famílias compostas majoritariamente por homens e mulheres participaram, em igualdade de condições, dos trabalhos comunitários, reforçando características das comunidades rurais e dos povos e comunidades tradicionais, que reconhecem no trabalho coletivo a constituição de suas identidades e modos de vida.

Para fortalecer esses modos de vida, as comunidades desenvolvem diversas estratégias, tais quais as tecnologias ancestrais. O conhecimento histórico das mais velhas, em conexão com as mais novas, sustenta práticas de cura, cuidado, alimentação e proteção, por meio da medicina natural, do manejo do solo, do autocuidado e da preservação das sementes crioulas, entre outros saberes e fazeres que se revelam como alternativas ao desenvolvimento predatório capitalista.

Nessa toada, o MMTR-NE apresenta a Escola de Educadoras Feminista: uma tecnologia ancestral e social de livre acesso, reaplicável, de fácil entendimento e adaptável a diferentes contextos, criada para valorizar o conhecimento de cada mulher.

³ Palavra de ordem de autoria de Margarida Maria Alves (Alagoa Grande, 5 de agosto de 1933 — Alagoa Grande, 12 de agosto de 1983). Margarida foi agricultora, sindicalista e defensora dos direitos humanos. Teve sua trajetória de luta interrompida quando foi assassinada a mando de latifundiários. Foi uma das primeiras mulheres a exercer um cargo de direção sindical no Brasil. Seu nome e sua história de luta inspiraram a Marcha das Margaridas, criada em 2000, que reúne trabalhadoras rurais na luta por terra e contra a violência de gênero.

Sua metodologia é pensada por mulheres trabalhadoras rurais dos nove estados do Nordeste, com base em experiências acumuladas, internas e externas. São rodas de diálogo que fortalecem o dia a dia, a formação e os conhecimentos sobre direitos e igualdade entre homens e mulheres nas comunidades.

“Tecnologia livre é ter ancestralidade presente, sempre!”, afirma a escritora quilombola Selma Dealdina. Para ela, as ideias de desenvolvimento e evolução da modernidade excluem memórias e histórias que precisam ser ativadas como forma de autodefesa de corpos e territórios violados pelo racismo. Como iniciativa de combate ao racismo nos territórios, mulheres rurais e quilombolas também se articulam para ocupar espaços de incidência política, denunciando as desigualdades de acesso à internet por meio da participação em audiências públicas na Câmara dos Deputados e pleiteando a representação dos movimentos no Comitê de Defesa dos Usuários de Serviços de Telecomunicações (CDUST).

Em sintonia com Dealdina, Mestra Cida, do grupo de coco e ciranda de roda Desencosta da Parede, da comunidade de Caiana dos Crioulos/PB, diante do computador e ao vivo para muitas pessoas, nos mostra a importância de ativar as tecnologias ancestrais por meio do jogo de rimas, melodias e da integração entre gerações. Ao partilhar a cerimônia de recepção de Bianca e Beatriz, duas adolescentes iniciadas nas tradições da sua comunidade, ela tece redes de conhecimentos e proteção dos seus modos de vida, ao mesmo tempo em que planta a esperança de que conexões digitais podem cooperar para o fortalecimento dessas vivências.

O Territórios Livres, Tecnologias Livres ousa apostar na ocupação dos territórios online e off-line como forma de reivindicar direitos e construir redes de solidariedade e autonomia dos territórios. As estratégias de comunicação sempre foram instrumentos potentes e necessários nas mãos das comunidades, sejam elas rurais ou urbanas. E, se hoje estamos experimentando um diálogo mais qualificado sobre o direito à comunicação desde os territórios e suas conexões, é porque houve quem ousasse construir novas possibilidades a partir de suas identidades, seus territórios e suas realidades.


Referências bibliográficas

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GONZALEZ, L. 1988. A Categoria Político-Cultural de Amefricanidade. In. Tempo Brasileiro. N. 92/93. Rio de Janeiro, 69-82 p.

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