Projeto Rizoma fortalece rede de comunicação e mobilização por justiça climática em São Tomé de Paripe
- Commbne

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Encontro reuniu cerca de 70 pessoas para discutir os impactos da contaminação química das águas e das areias de São Tomé de Paripe e fortalecer a mobilização por justiça ambiental para mais de 800 famílias atingidas

Cerca de 70 pessoas participaram, no último sábado, 8 de agosto, de um café da manhã realizado pelo movimento SOS São Tomé de Paripe, reunindo lideranças comunitárias, moradores, permissionários, marisqueiras, barraqueiros e outros trabalhadores do território, além de comunicadores e comunicadoras do Projeto Rizoma, iniciativa do Instituto COMMBNE.
A participação dos comunicadores e comunicadoras do Rizoma foi resultado de uma articulação construída pelo Instituto COMMBNE, por meio do Projeto Rizoma, com a vereadora Eliete Paraguassu e o Mandato Popular das Águas. A aproximação possibilitou o estreitamento do diálogo entre o projeto, as lideranças do movimento e os comunicadores que atuam na construção de estratégias de comunicação e incidência política nos territórios.
O encontro foi realizado pelo movimento SOS São Tomé de Paripe e teve como objetivo fortalecer a mobilização em torno das demandas das mais de 800 famílias atingidas pelos impactos da contaminação ambiental na região.
Desde fevereiro de 2026, moradores de São Tomé de Paripe denunciam a presença de substâncias químicas na faixa de areia e nas águas da região, além da morte de espécies da fauna marinha. A situação provocou impactos diretos sobre atividades como pesca, mariscagem, comércio e prestação de serviços relacionados à praia, comprometendo a renda e as condições de vida de centenas de famílias.
A situação foi reconhecida pela Prefeitura de Salvador por meio do Decreto nº 41.834, de 8 de junho de 2026, que declarou situação de Emergência Ambiental na região. Apesar do reconhecimento oficial, as lideranças denunciam que as famílias atingidas ainda permanecem sem a assistência necessária para enfrentar os impactos sociais e econômicos provocados pela contaminação.
Durante o café da manhã, as lideranças compartilharam com os comunicadores os desafios enfrentados no território e as estratégias de mobilização construídas desde o início das denúncias. O momento também permitiu identificar possibilidades de atuação conjunta para ampliar a visibilidade das reivindicações e fortalecer a pressão sobre o poder público.
Comunicação para fortalecer a luta do território
Para o Instituto COMMBNE, a aproximação entre comunicadores e lideranças integra a estratégia do Projeto Rizoma de construir uma rede de comunicação comprometida com as demandas das comunidades e capaz de contribuir para processos de incidência política e mobilização social.
A geógrafa Lorena Cerqueira, Assessora para Incidência Política e Produção de Conhecimento do Instituto COMMBNE, destaca a importância de conectar quem produz comunicação às lideranças que estão na linha de frente das lutas territoriais.
“É fundamental conectar as lideranças comunitárias aos comunicadores e comunicadoras, porque essa articulação amplia a capacidade de denúncia, fortalece a mobilização e cria condições para pressionarmos o poder público por respostas efetivas. A comunicação, nesse processo, não é apenas uma ferramenta para divulgar o que acontece: ela também é instrumento de organização e incidência política.”
Segundo Lorena, a construção dessa rede permite que as comunidades tenham maior protagonismo na produção e circulação das narrativas sobre seus próprios territórios, fortalecendo as denúncias e ampliando a capacidade de diálogo com diferentes setores da sociedade e do poder público.
A mobilização construída pelo SOS São Tomé de Paripe também já produziu resultados importantes. Entre eles está a interrupção das atividades da empresa Intermarítima na região, apontada como uma das principais conquistas alcançadas a partir da pressão exercida pelo movimento.
“Isso demonstra a força da mobilização popular e a importância de manter a comunidade organizada, articulada e produzindo incidência. Mas essa conquista não encerra a luta. É preciso avançar na reparação dos danos e, principalmente, garantir assistência às famílias que continuam sofrendo os impactos dessa situação.”
“Bruno Reis é inimigo do Subúrbio de Salvador?”
A participação dos comunicadores e comunicadoras do Rizoma também levou ao encontro uma estratégia de mobilização que vem sendo construída pelo próprio grupo: a campanha “Bruno Reis é inimigo do Subúrbio de Salvador?”.
Encabeçada pelos comunicadores e comunicadoras do Projeto Rizoma, a campanha questiona a atuação da Prefeitura de Salvador diante da situação enfrentada pelas famílias de São Tomé de Paripe e chama atenção para a demora na implementação de medidas efetivas de assistência à população atingida.
A iniciativa cobra do poder público o cumprimento das medidas previstas no decreto municipal de emergência ambiental, a assistência emergencial às famílias, a articulação com o Governo Federal para a recuperação da área e a responsabilização e fiscalização das empresas relacionadas às atividades que impactaram o território.
A campanha também busca evidenciar que a situação vivenciada em São Tomé de Paripe ultrapassa a dimensão de uma crise ambiental. A contaminação afeta diretamente o trabalho, a renda, a segurança alimentar e a relação das comunidades com um território do qual dependem historicamente para sua reprodução econômica e social.
Nesse sentido, a mobilização também denuncia uma dimensão de racismo ambiental, considerando que populações negras e periféricas do Subúrbio Ferroviário convivem historicamente com processos de degradação ambiental e com os impactos de atividades industriais sobre seus territórios.
Uma articulação que fortalece a incidência
A aproximação entre o Projeto Rizoma e o movimento SOS São Tomé de Paripe representa mais um passo na construção de uma rede de comunicadores, lideranças e organizações comprometidos com a defesa dos territórios e com a justiça climática e ambiental.
“A articulação construída a partir desse encontro foi fundamental para estreitar o diálogo com outras lideranças. A partir dessa aproximação, o objetivo é fortalecer a atuação conjunta e ampliar a capacidade de comunicação e incidência das organizações e comunidades que vêm denunciando os impactos ambientais na região. A mobilização tem como protagonistas as comunidades, as lideranças locais e os trabalhadores diretamente atingidos pela situação. O foco permanece na garantia de direitos, na assistência às famílias e na recuperação do território”, destaca Camila França, diretora do Instituto COMMBNE e coordenadora do Projeto Rizoma.
A experiência de São Tomé de Paripe também dialoga com as denúncias históricas realizadas por comunidades como Ilha de Maré, que há décadas enfrentam os impactos da poluição industrial sobre a Baía de Todos-os-Santos.
“Para o Projeto Rizoma, fortalecer essas conexões significa ampliar a capacidade dos territórios de comunicar suas próprias demandas, construir alianças e pressionar por políticas públicas que garantam justiça climática, ambiental e social. A interrupção das atividades da Intermarítima representa uma conquista importante, mas as famílias atingidas ainda aguardam respostas concretas, assistência e medidas efetivas de reparação e recuperação ambiental”, destaca Aline Dias, Assessora para Mobilização Territorial de COMMBNE.




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