Projeto Rizoma inicia formação de comunicadores populares para justiça climática em Salvador
- COMMBNE

- há 9 horas
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O Projeto Rizoma realizou sua aula inaugural e deu início à formação de comunicadores e comunicadoras populares voltada para justiça climática e comunicação para justiça racial. O encontro aconteceu na Escolab — escola laboratório localizada em Coutos, no Subúrbio Ferroviário de Salvador — e reuniu participantes de diferentes territórios da região.
A primeira atividade do projeto marcou o encontro inicial entre a equipe responsável pela formação, veículos de comunicação convidados e a turma selecionada, composta por 15 participantes que atuam em coletivos culturais, iniciativas de comunicação comunitária e organizações sociais do território. O momento foi importante para apresentar o projeto, conhecer as trajetórias dos participantes e iniciar a construção coletiva da formação.
Durante o encontro, os participantes puderam se apresentar, compartilhar de onde vêm, falar sobre as iniciativas que desenvolvem e explicar como a comunicação já acontece em seus territórios. A programação começou com a apresentação institucional do projeto e da proposta formativa, seguida de uma roda de apresentações em que os participantes compartilharam suas experiências em comunicação e organização comunitária, evidenciando a diversidade de idades, atuações e potencialidades do grupo.
Os participantes representam diferentes bairros do Subúrbio Ferroviário, como Alto de Coutos, Plataforma, Periperi, São João do Cabrito, Pirajá, Nova Constituinte e São Tomé. Muitos deles já atuam em redes locais de comunicação, cultura e mobilização social.
Durante a roda de apresentação, surgiram relatos sobre projetos de veículos comunitários, batalhas de rima, turismo de base comunitária, trilhas ecológicas e iniciativas de preservação ambiental ligadas à pesca artesanal e ao trabalho das marisqueiras — atividades que fazem parte da identidade histórica da região.
“A comunicação e a cultura do território são muito marcadas por essas práticas. A pesca artesanal, o trabalho das marisqueiras, a relação com o mar e com a natureza aparecem muito nas iniciativas das pessoas”, conta Aline Dias, assessora de mobilização da Commbne.
Além da apresentação do projeto, a aula inaugural reuniu representantes de organizações da sociedade civil e instituições públicas que também integrarão o processo formativo. Participam da formação representantes do Circuito Cultural Suburbano, do Cineclube Gereré, da Cipó Comunicação, do Instituto Trilha das Flores, do Grêmio Comunitário Cultural e Carnavalesco Afoxé Filhos de Ogum de Ronda, do Movimento Resistência Cultural, do Movimento Moradia Digna de Camaçari, da Biblioteca Social Afro-Indígena Meninas do Subúrbio, da ONG Mulher por Mulher e dos Griôs do Subúrbio, além de integrantes da Secretaria de Sustentabilidade e Resiliência Urbana de Salvador.
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Comunicação popular para justiça climática
O Projeto Rizoma nasce com o objetivo de fortalecer a atuação de comunicadores populares na discussão sobre justiça climática a partir das realidades locais. A formação busca ampliar o debate sobre os impactos ambientais que atingem de forma desigual territórios periféricos e comunidades tradicionais, ao mesmo tempo em que oferece ferramentas de comunicação para ampliar a incidência pública dessas pautas.
O debate sobre justiça climática ganha especial relevância no Subúrbio Ferroviário de Salvador, região que enfrenta diferentes impactos ambientais associados às mudanças climáticas e às desigualdades urbanas. Em bairros como Periperi, por exemplo, moradores relatam episódios recorrentes de ondas de calor e aumento das temperaturas, agravados pela pouca arborização e pela alta concentração de áreas urbanizadas.
Em outras localidades da região, comunidades que dependem da pesca artesanal e do trabalho das marisqueiras enfrentam pressões sobre os ecossistemas costeiros, além de problemas relacionados à poluição e à degradação ambiental. Esses fatores afetam diretamente a segurança alimentar, a geração de renda e as formas tradicionais de relação com o território.
Para Aline Dias, a formação busca justamente fortalecer a capacidade dos comunicadores locais de transformar essas experiências em narrativas públicas sobre justiça climática.
“Esse território passa por inúmeras ameaças ambientais. São questões que atingem diretamente a vida das pessoas, especialmente em áreas ligadas à pesca e aos recursos naturais. Discutir justiça climática também é discutir oportunidades e fortalecer quem já faz a comunicação acontecer nos territórios”, explica.
A assessora também destaca que o processo de mobilização para a formação envolveu diferentes estratégias de articulação com organizações locais, incluindo participação em eventos comunitários, visitas a rádios e divulgação em espaços culturais. Segundo ela, a expectativa é que o projeto fortaleça a produção de conteúdos sobre clima, território e direitos socioambientais no Subúrbio Ferroviário.
“As pessoas vão se formar ainda mais, aprender ferramentas e ampliar o debate sobre justiça climática nas suas localidades. Isso também significa pressionar o poder público para que as políticas de adaptação climática considerem a realidade desses territórios.”
A formação aposta na força das redes comunitárias, partindo da ideia de conexão entre iniciativas que já existem no território e fortalecendo a comunicação comunitária como ferramenta de mobilização social. Esse potencial já pôde ser percebido no primeiro encontro. A diversidade de experiências e relatos mostrou um território vivo, marcado por diferentes realidades, demandas e formas de organização social.
Por isso, a proposta da formação vai além das aulas teóricas. O objetivo também é aprimorar produtos e desenvolver estratégias de comunicação capazes de dialogar com as especificidades de cada comunidade e fortalecer as narrativas produzidas a partir desses territórios.
Ao longo dos próximos meses, os participantes irão passar por diferentes módulos do processo formativo e aprofundar debates sobre mudanças climáticas e racismo ambiental, comunicação comunitária e storytelling, incidência política e advocacy, além de produção multimídia voltada para narrativas territoriais.
















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