Projeto Rizoma promove oficina de produção multimídia antirracista e conclui mais um módulo do ciclo formativo
- Commbne

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Atividade reuniu comunicadores e comunicadoras do Subúrbio Ferroviário de Salvador na Casa Yaa Idè, com facilitação da jornalista Laura Beatriz, do Instituto COMMBNE

No dia 4 de julho, a Casa Yaa Idè, em Salvador, recebeu mais uma etapa do ciclo formativo do Projeto Rizoma — iniciativa do Instituto COMMBNE que articula comunicação popular, comunitária, periférica e alternativa como ferramenta de fortalecimento da justiça climática e racial no Subúrbio Ferroviário de Salvador.
O encontro marcou a conclusão do Módulo IV: Produção Multimídia Antirracista, conduzido pela jornalista e midiativista Laura Beatriz, assistente multimídia do Instituto COMMBNE, e reuniu comunicadores e comunicadoras participantes do projeto para uma imersão prática sobre narrativas digitais, produção audiovisual e construção de conteúdos conectados às vivências do território.
Mais do que aprender técnicas de produção para redes sociais, a formação propôs uma reflexão sobre o lugar político de quem comunica: produzir narrativas a partir do território, e não apenas sobre ele.
A atividade começou com uma provocação: afinal, o que é uma rede? A partir da pergunta, o grupo construiu coletivamente uma reflexão que ultrapassou a ideia de plataformas digitais e trouxe a comunicação como um processo baseado em vínculos, relações e pertencimento.
“Território não é só espaço físico — ele também é formado pelas relações e pelas conexões entre as pessoas”, destacou Laura Beatriz, ao lembrar que a internet é apenas uma das formas possíveis de articulação dessas redes.
Para a facilitadora, o desafio da comunicação popular está justamente em construir narrativas conectadas à realidade das comunidades, valorizando suas memórias, culturas, histórias, linguagens e modos de vida.
“A gente não está ali para falar sobre a comunidade, e sim para caminhar junto com ela”, ressaltou.
Durante a formação, os participantes também refletiram sobre o papel do comunicador popular em suas diferentes dimensões: política, ao evidenciar as causas e desafios do território; ética, pelo compromisso com a verdade e com as pessoas; e poética, pela capacidade de revelar também as potências, culturas e belezas presentes nas comunidades.
“Se a gente não conta a nossa história, alguém conta pela gente — e quase nunca é do jeito certo”, afirmou Laura Beatriz, ao abordar a importância do tom de voz e da linguagem na comunicação.
Segundo ela, uma comunicação comprometida com o território precisa fugir de discursos distantes e valorizar uma linguagem acessível, afetiva e conectada ao cotidiano das pessoas — suas escolas, famílias, bairros, culturas e experiências.
A facilitadora também apresentou a ideia do comunicador como uma “antena” do território: alguém capaz de perceber o que pulsa na comunidade e transformar essas vivências em conteúdos que gerem informação, reflexão e mobilização.
Para orientar a construção das narrativas, Laura destacou quatro perguntas fundamentais: o que aconteceu? Por que isso importa? Como isso impacta a minha vida? O que posso fazer a partir disso?
Produzindo conteúdos que comunicam
Na parte prática da oficina, os participantes trabalharam elementos fundamentais para a criação de conteúdos digitais, como estrutura narrativa, definição de ganchos, construção de histórias, apresentação de informações e elaboração de chamadas para mobilização.
Também foram abordados aspectos visuais importantes para a comunicação nas redes sociais, como hierarquia das informações, legibilidade, contraste, organização dos elementos e a importância de uma mensagem clara em cada peça produzida.
A formação integra o ciclo formativo do Projeto Rizoma, que, ao longo de seis meses, vem qualificando 13 comunicadores e comunicadoras populares do Subúrbio Ferroviário de Salvador em temas como racismo ambiental, justiça climática, incidência política e produção multimídia.
Ao final do encontro, o grupo debateu caminhos para aplicar os conhecimentos adquiridos na produção dos boletins climáticos hiperlocalizados e das séries em podcast previstas pelo projeto, que serão compartilhadas por rádios comunitárias.



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