Olhares Insurgentes da Améfrica Ladina: lançamento celebra a comunicação antirracista como prática política na América Latina
- COMMBNE
- há 23 horas
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O Instituto Commbne, em parceria com a Fundação Friedrich Ebert (FES), realizou no dia 31 de Janeiro o lançamento do livro Olhares Insurgentes da Améfrica Ladina, publicação que reúne experiências, reflexões e práticas de comunicação antirracista em diferentes territórios da América Latina. O encontro aconteceu na Casa Yaa Idè, em Salvador, e foi marcado por uma roda de conversa potente, atravessada pela pluralidade de vozes e pela troca direta entre comunicadores e comunicadoras negras.
Mais do que a apresentação de um livro, o evento se consolidou como um espaço de encontro político e afetivo, celebrando a escrita como ferramenta de resistência, produção de conhecimento e construção de futuros possíveis. A obra é resultado do edital Vozes da Améfrica Ladina e reflete o compromisso coletivo com uma comunicação comprometida com a justiça racial, a memória e a transformação social.
Durante a roda de conversa, autoras e autores compartilharam os caminhos de suas produções, os desafios de narrar seus próprios territórios e a importância de disputar sentidos na comunicação. Estiveram presentes Letícia Menezes, Gabriel Rodrigues, Tamara Tarso, representando o coletivo Intervozes, Lilian Vieira, André Luiz Oliveira e Tathiane Vitorino, além de comunicadores, parceiros institucionais e integrantes da Commbne. Confira fotos:
Para Mike Araújo, diretor do Instituto Commbne, o livro materializa uma aposta política construída a muitas mãos. “São produções que nascem do território, da vivência e da urgência de disputar narrativas em um sistema que historicamente nos silenciou. Publicar autoras e autores negros da América Latina é afirmar que nossas histórias têm valor, método e profundidade”, afirmou. Camila França, também diretora da Commbne, destacou o caráter coletivo da publicação e o cuidado com cada etapa do processo.
Representando a Fundação Friedrich Ebert (FES), Willian Habermann ressaltou a importância da parceria com a Commbne e do investimento em iniciativas que fortalecem a democracia. “A FES acredita que não há democracia sem justiça racial e não há justiça racial sem comunicação. Apoiar essa publicação é apoiar a produção de conhecimento crítico a partir das experiências concretas da diáspora africana na América Latina”, afirmou.
Jaqueline Santos, que também integrou a condução do edital e a organização da obra, reforçou o impacto político do projeto. “O edital Vozes da Améfrica Ladina revelou a potência de comunicadores e comunicadoras que já estão transformando seus territórios. O livro registra essas experiências, mas também inspira outras pessoas a escrever, narrar e ocupar espaços de produção simbólica”, disse.
Ao longo do encontro, as falas evidenciaram que a publicação não é apenas uma coletânea de textos, mas um marco na construção de redes de comunicação antirracista no continente. A publicação reafirma a escrita como direito, a memória como estratégia política e a comunicação como ferramenta fundamental para a disputa de projetos de sociedade.
O lançamento na Casa Yaa Idè — espaço que nasce com o propósito de formação, articulação e fortalecimento de lideranças negras — reforçou o simbolismo do momento. Entre abraços, escuta atenta e celebração, ficou evidente que a obra é fruto de uma construção coletiva que segue viva, em movimento e comprometida com a transformação social.
Galeria do evento:













































