Ciclo de leitura sobre Lima Barreto é encerrado com reflexões sobre racismo, literatura e memória
Em parceria com o Irohìn, Commbne promoveu quatro encontros conduzidos pelo professor Edson Cardoso; grupo de 20 participantes terá textos reunidos em publicação

O Instituto Commbne e o Irohin encerraram, em agosto, o primeiro ciclo de leitura realizado na Casa Yaa Ide, sede do Commbne. Ao longo de quatro sábados, 20 pessoas participaram dos encontros conduzidos pelo doutor e professor Edson Cardoso, a partir da leitura de Recordações do Escrivão Isaías Caminha, de Lima Barreto. A atividade criou um espaço de formação, diálogo e reflexão coletiva sobre literatura, racismo, comunicação e as experiências da população negra no Brasil.
Durante o ciclo, os participantes receberam livros de Recordações do Escrivão Isaías Caminha emprestados para acompanhar as discussões e aprofundar a leitura. A trajetória de Isaías Caminha serviu como ponto de partida para debates sobre as possibilidades negadas à população negra, os mecanismos de exclusão e as formas como o racismo se manifesta nas instituições e no cotidiano. Para Edson Cardoso, a obra de Lima Barreto também permite observar criticamente a sociedade brasileira e suas estruturas de poder.
Ao longo dos encontros, o professor ampliou a discussão para temas relacionados à história do racismo no Brasil, à construção de imaginários sobre a população negra e ao papel da comunicação na reprodução ou no enfrentamento dessas estruturas. As conversas também abordaram a imprensa, a criminalização da população negra, a produção de estigmas sobre territórios e a importância de construir outras possibilidades de futuro. “Não adianta ficar negando. A gente já sabe o que tem. O que nós vamos fazer para combater?”, provocou Edson durante uma das atividades.
Claro. Para encaixar na matéria, eu usaria um parágrafo mais enxuto, com força de encerramento e preservando o pensamento do professor:
Ao refletir sobre os efeitos do racismo para além das estatísticas de violência, Edson Cardoso chamou atenção para aquilo que não chega a ser contabilizado: as possibilidades humanas interrompidas. A partir da trajetória de Lima Barreto e de outras referências discutidas no ciclo, o professor provocou o grupo a pensar sobre quantos talentos e vocações deixam de se realizar quando a população negra tem seus caminhos limitados. “Quanto que a gente perdeu de talento e vocação? De possibilidade de realização humana?”, questionou. Para ele, pensar essas perdas também exige perguntar pelo futuro e pelos sonhos: “Com que sonham os negros no país?”.
Para Larissa Souza, gestora de projetos do Commbne e estudante de Pedagogia, que acompanhou os encontros, o ciclo representou uma experiência importante de formação e construção coletiva na Casa Yaa Ide. A participação do grupo, segundo ela, mostrou a potência de criar espaços permanentes de leitura e diálogo, aproximando literatura, educação e reflexão sobre as relações raciais. A atividade também fortaleceu a proposta da Casa como espaço de encontro, produção de conhecimento e circulação de diferentes perspectivas.
O encerramento do ciclo marca, ainda, uma nova etapa do trabalho desenvolvido a partir dos encontros. As reflexões, comentários e textos produzidos pelos participantes ao longo da atividade serão organizados em uma publicação coletiva. O material será desenvolvido e orientado pelo professor Edson Cardoso, preservando a contribuição do grupo e transformando a experiência do círculo de leitura em um registro que poderá circular para além dos encontros realizados na Casa Yaa Ide.
Mais do que concluir uma sequência de quatro encontros, o encerramento do ciclo inaugura uma experiência que articula leitura, formação e produção de conhecimento a partir de uma perspectiva comprometida com a reflexão racial. Para Commbne, a iniciativa reafirma a Casa Yaa Ide como um espaço de diálogo e construção coletiva, onde a literatura pode ser ponto de partida para compreender o presente, recuperar memórias e imaginar outros futuros.
Confira fotos dos encontros:



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