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Um Dendê na Comunicação Digital: a importância das práticas pedagógicas da Olabisi – Laboratório Criativo

Atualizado: 7 de jul.

Resumo

Este artigo analisa a trajetória da Olabisi – Laboratório Criativo, uma startup de impacto social que atua na interseção entre comunicação antirracista e educação, com foco no empoderamento de afroempreendedores no Brasil. A partir de uma abordagem interdisciplinar, discutimos como a comunicação digital pode funcionar como uma ferramenta poderosa para a autonomia financeira e a inclusão social de pessoas negras, especialmente no contexto brasileiro, marcado por desigualdades raciais e sociais ainda alarmantemente persistentes.

A Olabisi, liderada por uma equipe de mulheres negras, proporciona um espaço de aprendizado e desenvolvimento que integra tecnologias sociais e práticas educacionais centradas na diversidade, na inclusão e na promoção de soft skills essenciais para a inserção no mercado digital contemporâneo.

O artigo aborda a importância de uma comunicação antirracista em diálogo com a educação, contribuindo não apenas para o fortalecimento econômico das comunidades negras, mas também para a construção de uma sociedade mais inclusiva. Além disso, o estudo examina os desafios e as oportunidades enfrentados pela Olabisi em sua missão de amplificar as vozes afro-brasileiras no cenário digital.

Palavras-chave: Comunicação antirracista; Educação; Afroempreendedorismo.



Introdução

O Brasil, com sua vasta e complexa diversidade cultural, enfrenta desafios persistentes relacionados à inclusão social e econômica das populações negras. Apesar de avanços em várias áreas, a desigualdade racial ainda se manifesta de maneira imperativa, impactando o acesso a oportunidades educacionais e profissionais.

Nesse contexto, o afroempreendedorismo surgiu como uma estratégia potente para a emancipação econômica de pessoas negras, proporcionando-lhes os meios para construir independência financeira e fortalecer suas comunidades. Houve um crescimento de 47% no número de empreendedores negros no Brasil, passando de 8,7 milhões para 12,8 milhões de pessoas autodeclaradas negras que ressignificam suas existências por meio do ato de empreender (SANTOS, 2019, p. 17).

Este contexto trata de histórias fortes da nossa ancestralidade. Vai muito além de questões econômicas e adentra o âmbito da sobrevivência. Apesar dos avanços e do aumento de empreendedoras(es), muitas(os) afroempreendedoras(es) ainda carecem das ferramentas e do conhecimento necessários para navegar no ambiente digital, que se torna cada vez mais essencial para o sucesso empresarial.

Quando o assunto é comunicação digital, segundo a Pesquisa Afroempreendedorismo Brasil, realizada pela Inventivos, Movimento Black Money e RDStation (2021), a monetização e as estratégias digitais estão entre as principais dificuldades dos negócios liderados por pessoas negras:

"Os afroempreendedores enfrentam diversos obstáculos, mas colocam como as duas principais dificuldades o desconhecimento de estratégias digitais (50,9%) e formas de tornar seus negócios rentáveis (59,2%)".

A Olabisi – Laboratório Criativo surge como uma resposta inovadora a essa necessidade, oferecendo soluções para os problemas do afroempreendedorismo ao combinar comunicação antirracista com práticas educacionais inclusivas para criar um ambiente de aprendizado que empodere esse ecossistema de pessoas negras empreendedoras e promova a justiça social.

A comunicação antirracista é um pilar fundamental para tecer rachaduras nas narrativas hegemônicas que perpetuam o racismo estrutural. No âmbito educacional, essa abordagem permite que pessoas negras não apenas adquiram habilidades técnicas, mas também fortaleçam sua identidade cultural e autoestima, elementos fundamentais para o sucesso em qualquer empreendimento. Por isso, o Lab Criativo usa sua maior arma contra o racismo: a educação.

Este artigo examina a trajetória da Olabisi, destacando como a startup tem utilizado a comunicação digital para romper barreiras sociais e racistas de acesso à informação e autonomia para pessoas negras. Aqui, dialogaremos em primeira pessoa e com análises empíricas do negócio. O Lab Criativo vem desenvolvendo um modelo de negócio que não busca apenas o sucesso financeiro, mas também a transformação social.

A discussão concentra-se na importância de integrar esses dois campos para promover a inclusão digital e a autonomia financeira das populações negras, abordando tanto as conquistas da Olabisi quanto os desafios que ainda precisam ser superados.


Aquela que compartilha alegria

A história da Olabisi – Laboratório Criativo está intrinsecamente ligada às experiências de mulheres negras bissexuais da periferia de Salvador (BA). Fundamos a startup do seio da favela de Cosme de Farias, onde vivemos na pele as desigualdades raciais e de gênero, incluindo as barreiras de acesso à informação.

Cursos e espaços de marketing digital pareciam uma realidade paralela à nossa. Os espaços de formação e de networking estão repletos de termos em inglês e soluções que não contemplavam as possibilidades operacionais de empreendedoras negras vindas da favela. Assim, a Olabisi nasceu com o propósito de oferecer ferramentas e recursos para que outras pessoas negras pudessem construir suas próprias narrativas e promover seus negócios no universo digital.

Para contar um pouco sobre a Olabisi, começamos pelo seu nome. De origem iorubá, seus significados são: "aquela que compartilha alegria"; "alegria compartilhada"; e "alegria multiplicada". Além disso, em uma brincadeira com as letras, encontramos dentro da composição do nome, logo no meio, a palavra "lab", um "apelido" para a palavra "laboratório", que define uma das descrições possíveis desse negócio de impacto social.

O nome já diz muito sobre o que a Olabisi se dispõe a ser. Ao falar de pessoas negras e nossas histórias, a protagonista costuma ser a dor. Mas, ao propor novas narrativas para as nossas comunidades, colocamos, como protagonistas, a alegria e os sonhos realizados por meio da comunicação digital associada ao afroempreendedorismo.

"Quanto maior a circulação de riquezas entre negros, maiores as chances de redução de miserabilidade e pobreza que assola este grupo étnico, daí decorre também um aumento da escolaridade, empregabilidade e ascensão social; o que contribui para a redução de violência e o aumento do PIB nacional" (SANTOS, 2019, p. 40).

O pensamento trazido pela autora mineira Maria Angélica dos Santos defende um argumento importante: criar estratégias para que nosso povo acesse a riqueza e rompa barreiras nos possibilita a oportunidade de conquistar novas alegrias com qualidade de vida. Essa visão dialoga com a proposta da Olabisi.

A interseccionalidade é um dos pilares do Laboratório Criativo. A equipe, composta por pessoas diversas, traz para a organização uma perspectiva única, que considera as múltiplas formas de opressão e as complexidades da experiência negra. Essa perspectiva se reflete em todas as ações da Olabisi, desde a escolha dos temas abordados até a linguagem utilizada.

Ao valorizar as experiências e os saberes das mulheres negras e os princípios da ancestralidade africana, a Olabisi contribui para a descolonização do conhecimento e para a construção de narrativas mais condizentes com a realidade de pessoas negras, contemplando a comunicação de corpo inteiro, desde a autoestima até a projeção no mundo digital.

A comunicação antirracista, para a Olabisi, é uma ferramenta de resistência e transformação social. Por meio de suas ações, a organização desconstrói estereótipos, visibiliza a diversidade e promove a inclusão. O diálogo no digital, nesse contexto, torna-se um espaço fundamental para a produção e disseminação de conteúdos que desafiam as narrativas hegemônicas e fortalecem a identidade negra.

Essa comunicação, porém, não se limita à produção de conteúdo. Ela envolve a construção de redes de apoio, a promoção do diálogo e a criação de espaços seguros de formação e referência. Ao conectar afroempreendedores de diferentes regiões do país, a Olabisi fortalece a economia negra e contribui para a construção de novos futuros empreendedores.


Foto 1 — Apresentação do pitch deck final do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) Garagem 2023, no palco da sede do BNDES, no Rio de Janeiro

Fonte: Albert Andrade (2023).

A Olabisi – Laboratório Criativo estabeleceu-se como referência nacional em comunicação antirracista aplicada ao empreendedorismo e à educação. O Lab Criativo trabalha em duas vertentes: a Escola e a Agência.

Na Escola, oferecemos formações como cursos, mentorias e eventos voltados ao fortalecimento de habilidades em comunicação digital e ao desenvolvimento de competências cruciais para o mercado atual. Entre os temas desses encontros formativos, destacam-se: redes sociais, marketing digital, empreendedorismo digital, design gráfico a partir da plataforma Canva, fotografia de produto com o celular, autocuidado no offline e muito mais.

Já na Agência, a Olabisi realiza serviços como criação de identidade visual, social media, ilustração, diagramação de livros e criação de peças de design, entre outros serviços de comunicação e marketing digital.


Transformação social por meio da comunicação antirracista digital

A Olabisi, com sua metodologia inovadora e serviços personalizados, tem alcançado resultados expressivos na promoção da equidade racial e do empreendedorismo negro. Um dos diferenciais da startup está em suas práticas pedagógicas, que bebem diretamente da fonte da Pretagogia para elaborar o ensino de comunicação digital.

"A Pretagogia, referencial teórico-metodológico em construção há alguns anos, pretende se constituir numa abordagem afrocentrada para formação de professores/as e educadores/as de modo geral. Parte dos elementos da cosmovisão africana, porque considera que as particularidades das expressões afrodescendentes devem ser tratadas com bases conceituais e filosóficas de origem materna, ou seja, da Mãe África. Dessa forma, a Pretagogia se alimenta dos saberes, conceitos e conhecimentos, de matriz africana, o que significa dizer que se ampara em um modo particular de ser e de estar no mundo" (PETIT, 2015, p. 119).

Esse referencial metodológico usado em nossas criações, combinado com a territorialidade e a cultura baiana, nos ajuda na construção de nossas produções educativas. Nossa linguagem acessível e abordagem autêntica permitem uma conexão genuína com o público-alvo, tornando nossos serviços mais acessíveis e impactantes, pois estamos extremamente conectados com as diversas realidades e rotinas de pessoas negras brasileiras.

Os conteúdos da empresa dialogam com o vocabulário "baianês" e as referências das matrizes africanas. O curso Curiar: comunicação digital para afroempreendedores é um exemplo dessa conexão. O título traz um termo usado na Bahia: "curiar" significa ter curiosidade sobre algo, observar, assistir, presenciar.

Além disso, uma das realizações do Laboratório Criativo é o curso Trilha AYA: comunicação digital para artistas negres LGBTQIAP+. Neste caso, o nome vem de um símbolo Adinkra, derivado da cultura do povo Akan, e significa resistência.

Na jornada da Trilha Aya são trabalhadas três vertentes de formação: fotografia e autoimagem, que explora a construção da identidade visual por meio da lente; autocuidado no offline, que aborda a importância do bem-estar emocional e da conexão consigo mesma(o) para fortalecer a criatividade; e comunicação para mídias sociais, que oferece ferramentas e estratégias para a criação de conteúdos atrativos e engajadores, além de trabalhar a construção de identidade visual e definição de estratégias de comunicação para redes sociais.


Foto 2 — Curso Curiar: Comunicação Digital para Afroempreendedores

Fonte: Ema Ribeiro (2022).

A construção de ciclos formativos como esses tem como princípio o deslocamento do olhar ocidental e eurocêntrico, propondo práticas comunicativas projetadas para o mundo digital que dialoguem com nossas rotinas e possibilidades de construção.

As três vertentes dialogam entre si porque entendemos que a comunicação digital é precedida de diversas questões sociais para que seja efetivada. Não podemos falar sobre comunicação para pessoas negras sem refletir e criar estratégias sobre nossa autoestima e autoimagem.

A ideia é associar as práticas da Pretagogia, entendendo a comunicação e a educação como processos de "corpo inteiro" e interdisciplinares, porque foi assim que a ancestralidade africana e negra sempre aplicou seus saberes: por meio de danças, cânticos, símbolos e oralidade. Como traz o filósofo malinês Hampatê Bâ:

"Mas não nos iludamos: a tradição africana não corta a vida em fatias e raramente o 'Conhecedor' é um 'especialista'. Na maioria das vezes, é um 'generalizador'. Por exemplo, um mesmo velho conhecerá não apenas a ciência das plantas (as propriedades boas ou más de cada planta), mas também a 'ciência das terras' (as propriedades agrícolas ou medicinais dos diferentes tipos de solo), a 'ciência das águas', astronomia, cosmogonia, psicologia, etc. Trata-se de uma ciência da vida cujos conhecimentos sempre podem favorecer uma utilização prática" (BÂ, 2010, p. 175).

Essa combinação de ferramentas e estratégias tem gerado um impacto significativo na vida dos participantes. Segundo pesquisas de satisfação realizadas após os cursos, obtivemos um índice médio de 98% de satisfação em todas as jornadas educativas.

Outro ponto importante é que a startup também atua como agência e, além das questões educacionais, opera na inserção no mercado de trabalho de profissionais negros e negras das diversas áreas da comunicação. Além da equipe fixa, composta integralmente por pessoas negras, a Olabisi mantém o que chamamos de "Banco de Potências", com 40 profissionais negras(os) conscientes social e racialmente, que atuam como freelancers para atender às demandas dos serviços.

Dentre os impactos sociais positivos gerados pela startup, destaca-se o curso de Empreendedorismo Digital realizado em parceria com o Governo do Estado da Bahia e a FOCUS Moda Produções, dentro do programa Juventude Produtiva.

O curso teve duração de seis meses e foi ministrado em um casarão no Centro Histórico de Salvador, de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h, para uma turma de 30 jovens periféricos. Esses alunos iniciaram o curso sem conhecimentos prévios de empreendedorismo ou estratégias digitais. Ao final, praticamente todos concluíram o curso com seus negócios estruturados e com letramento digital, colocando em prática os conhecimentos adquiridos na gestão e na comunicação digital de seus empreendimentos.

Além disso, a turma organizou um evento para apresentar suas produções, o Mostre seu Dendê, que contou com intervenções artísticas e uma feira para apresentação dos negócios dos estudantes. A turma não recebeu apenas uma formação para se transformar no digital, mas sim uma transformação de vida.


Foto 3 — Card de divulgação do evento Sarau Mostre Seu Dendê

Fonte: Olabisi – Laboratório Criativo (2023).

Ao fortalecer a economia negra e promover a inclusão social, a Olabisi contribui para a construção de uma sociedade mais justa e equitativa, onde todas as pessoas possam ter oportunidades equânimes de desenvolvimento e acesso à informação.

A organização demonstra que é possível promover a transformação social por meio da educação, da cultura e da comunicação, desafiando as desigualdades e construindo um futuro mais justo e sustentável.

Os números não mentem: o negócio de impacto já realizou mais de oito cursos de forma independente e mais de 450 horas de mentoria para empresas como Preta Hub, Fábrica Cultural e Shell Iniciativa. Nessa trajetória de quatro anos, já atendemos mais de 50 clientes e realizamos mais de 15 eventos.

Além disso, acumulamos diversas premiações e aprovações em iniciativas de aceleramento reconhecidas nacional e internacionalmente, dentre as quais: Pretas Potências, da Preta Hub, Instituto Alok e Black Princess; finalistas do BNDES Garagem 2023; participantes do Inventivos Tech Hub e do Digital Future Labs, do Fa.vela e do Governo Britânico; Expo Favela Bahia 2023 da CUFA; finalistas do Desafio de Inovação e Impacto para Empreendedorismo Jovem da Yunus Century; entre outras conquistas.


Foto 4 — Premiação do BNDES Garagem 2023, no palco da sede do BNDES, no Rio de Janeiro

Fonte: Albert Andrade (2023).

Os objetivos e práticas da Olabisi estão diretamente alinhados com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 das Nações Unidas (NAÇÕES UNIDAS, 2015).

Ao oferecer cursos e mentorias que combinam saberes ancestrais com tecnologias modernas, a organização promove a educação de qualidade, contribuindo para o alcance das metas do ODS 4. Ao empoderar afroempreendedores e fortalecer a economia negra, contribui diretamente para o ODS 8. Além disso, ao combater o racismo e promover a inclusão social, atua em consonância com o ODS 10.

O maior objetivo interno do Laboratório Criativo é alcançar, até 2026, mais de 15 mil afroempreendedores por meio de seus serviços de comunicação e educação.


Encruzilhadas e desafios: ginga entre o impacto social e a comunicação antirracista

Apesar de todo o impacto positivo gerado, a Olabisi também enfrenta desafios inerentes a qualquer iniciativa que busca transformar a realidade social. A demanda por seus serviços cresce exponencialmente, exigindo constante adaptação e expansão da capacidade de atendimento.

A sustentabilidade financeira é outro ponto crucial, já que a startup, como muitas outras iniciativas de impacto social, depende em grande parte de recursos provenientes de editais e prêmios.

Ser um negócio social de comunicação que traz a perspectiva afrocentrada, favelada e nordestina nos coloca em uma posição única, mas também nos confronta com desafios específicos. A comunicação antirracista e a valorização das culturas minoritárias ainda são temas complexos e pouco explorados no mercado, o que dificulta a obtenção de recursos e a construção de parcerias com empresas tradicionais.

Muitas vezes, somos vistos como um nicho e não como um mercado com potencial de crescimento e inovação.

A Olabisi, ao adotar uma comunicação antirracista que não se alinha com padrões tradicionais do mercado, enfrenta o desafio de construir um modelo de negócio economicamente sustentável sem comprometer seus princípios. A busca por parcerias que valorizem a diversidade e a equidade é constante, mas a resistência de algumas empresas em adotar práticas antirracistas e inclusivas pode ser um obstáculo.

No entanto, o potencial do mercado negro é inegável. Segundo dados da pesquisa O Brasil Negro – consumo e empreendedorismo (Instituto Locomotiva & Feira Preta, 2018), a população negra brasileira movimenta R$ 1,7 trilhão por ano em renda própria, e 67% dos consumidores negros preferem marcas com valores parecidos com os seus.

Essa preferência representa uma oportunidade significativa. A pesquisa também revela que os afroempreendedores movimentam aproximadamente R$ 359 bilhões por ano, criando oportunidades para que a Olabisi ofereça soluções personalizadas e contribua para o desenvolvimento desse mercado.

Para garantir a longevidade da Olabisi e maximizar seu impacto, é preciso diversificar as fontes de receita, explorando oportunidades no mercado privado, desenvolvendo novos modelos de negócios e fortalecendo parcerias com empresas e instituições que compartilhem nossos valores.

Além disso, o Lab Criativo precisa investir em sua própria estrutura, fortalecendo sua equipe, aprimorando seus sistemas de gestão e expandindo sua atuação para novas regiões. A criação de uma plataforma digital para conectar afroempreendedores e facilitar o acesso aos serviços da Olabisi também é uma possibilidade a ser explorada.

Em suma, os desafios são complexos e exigem uma abordagem multifacetada. Ao navegar por essas encruzilhadas, a organização tem a oportunidade não apenas de garantir sua própria sustentabilidade, mas de transformar as realidades de seu público-alvo.


Conclusões

A Olabisi – Laboratório Criativo consolida-se como uma iniciativa inovadora que vem contribuindo significativamente para a promoção da inclusão digital e o empoderamento de afroempreendedores no Brasil.

Ao integrar comunicação antirracista e práticas educacionais em suas ações, a startup oferece um modelo de negócio que não apenas gera impacto social, mas também contribui para a desconstrução da estrutura racista.

A experiência da Olabisi demonstra que é possível utilizar a comunicação digital como uma ferramenta poderosa para a transformação social, desde que orientada pelos princípios da diversidade, da inclusão e do respeito às identidades culturais, principalmente quando associadas a perspectivas afrocentradas.

No entanto, para que a startup continue a crescer e ampliar seu impacto, será necessário enfrentar os desafios relacionados à escalabilidade e à sustentabilidade financeira.

Em última análise, a trajetória da Olabisi reforça a importância de iniciativas que dialoguem com a educação e a comunicação antirracista, oferecendo às comunidades negras as ferramentas necessárias para o exercício pleno de sua cidadania, a inovação, o acesso à comunicação democrática e a construção da autonomia financeira a partir da assertividade de seus produtos comunicativos no mundo digital.

A comunicação antirracista, quando aplicada de maneira eficaz, pode ajudar a romper barreiras históricas e promover um ambiente em que todas as vozes sejam ouvidas e valorizadas. No entanto, para que essa abordagem seja verdadeiramente eficaz, é necessário um compromisso contínuo com a reflexão crítica e a adaptação às necessidades em evolução das comunidades negras.


Referências

AGENDA 2030. Objetivos de Desenvolvimento Sustentável no Brasil. Disponível em: https://brasil.un.org/pt-br/sdgs. Acesso em: 15 ago. 2024.

BÂ, A. Hampaté. A Tradição Viva. In: KI-ZERBO, J. (Org.). História geral da África, I: metodologia e pré-história da África. 2. ed. rev. Brasília: UNESCO, 2010. p. 167-212.

INSTITUTO LOCOMOTIVA; FEIRA PRETA. O Brasil Negro: consumo e empreendedorismo. 2018.

MOVIMENTO BLACK MONEY; INVENTIVOS; RDSTATION. Pesquisa Afroempreendedorismo Brasil: desafios e oportunidades para o empreendedorismo negro no Brasil. São Paulo: RDStation, 2021. Disponível em: https://inventivos.co/empreendedorismo/afroempreendedorismo-feminino-solitario-brasil-empreender/. Acesso em: 15 ago. 2024.

PETIT, Sandra. Pretagogia: pertencimento, corpo-dança afroancestral e tradição oral: contribuições do legado africano para a implementação da Lei nº 10.639/03. Fortaleza: EdUECE, 2015.

SANTOS, Maria Angélica dos. O Lado Negro do Empreendedorismo: afroempreendedorismo e Black Money. Belo Horizonte: Letramento, 2019.

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